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Reconciliação Racial


Mensagem Ministrada por Voddie Baucham no Founders Ministries
- Maio de 2019

Iremos ver Efésios 2, a partir do verso 11. Todos nós amamos o livro de Efésios. E amamos o capítulo 2, mas normalmente até o verso 10. Muitos conseguem citar de memória trechos do capítulo 2, mas são trechos até o verso 10. Todo o capítulo 2 é muito bom. Mas no verso 11 fica ainda melhor e é aí que vamos olhar hoje.

Enquanto olhamos esses versos eu gostaria que entendêssemos uma coisa. No meio de todas essas discussões sobre justiça social, raça, questões sexuais… no fim, a questão é: "o que Deus diz sobre nós?" E "o que Deus diz sobre nós é suficiente?"

Quando começamos a falar sobre quem nós somos em Cristo, sobre a nossa unidade em Cristo, nossa comunhão, nossos relacionamentos, cremos que a bíblia é suficiente? Uma das coisas que mais assustam, quando falamos sobre esses assuntos é que começamos a ver uma nova hermenêutica se desenvolvendo, onde o pecado é institucional em vez de estar no coração do homem. Não apenas isso, mas estamos começando a desenvolver um novo cânon que diz: "se você não está enxergando as coisas de forma clara, você precisa ler o livro Dividido pela Fé." Não ouvimos "você precisa ler esse trecho das escrituras". É sempre assim: "se você não está entendendo isso tudo, aqui está uma lista de livros que você precisa ler a fim de conseguir entender as escrituras da forma correta, sobre como ela se relaciona à nossa unidade uns com os outros em Cristo". Isso é um problema!

Eu creio que a bíblia é absolutamente suficiente. Não apenas inerrante, mas suficiente para todas as questões de fé e prática, e a forma que lidamos uns com os outros através das etnias, é uma questão de fé e prática. A bíblia é suficiente para isso. Não estou argumentando que não devemos ler outras coisas. Mas a bíblia é suficiente. Me preocupa quando começamos a ouvir pessoas sugerindo que nós temos a bíblia todo esse tempo e mantemos relacionamento com irmãos de diferentes etnias, mas somente ao ler determinado livro, finalmente entendemos o coração de Deus sobre essa questão de justiça no tocante às raças e etnias.

E nem chegamos a ouvir alguém falar sobre um livro expositivo sobre o assunto. É sempre um livro de sociologia. Agora temos a sociologia se sobrepondo e governando a nossa teologia. Isso é muito problemático. Não quero dizer que não devemos ler sociologia. Uma das minhas formações é sociologia e eu gosto, pois é uma ferramenta incrível para entender como a visão do mundo é formada e como a visão do mundo foi incorporada. Existem poucas coisas tão potentes em guiar nossa cultura em determinadas direções, contrárias às verdades bíblicas do que a sociologia.

Não é coincidência que muitos textos que hoje se fazem referência dizem que se uma pessoa está no lado errado do debate sobre justiça social, ela precisa fazer sua lição de casa. Isso quer dizer, ler uma determinada lista de textos, em sua maioria sociológicos. Somente então essa pessoa vai entender. E quando uma pessoa está próxima do que se considera ser o lado correto, ela é louvada por ter feito sua lição de casa e pelo número de livros que leu sobre o assunto antes de se levantar e dizer isso e aquilo.

Você percebe o que está faltando?

A bíblia é suficiente para a reconciliação racial?

Será que você e eu podemos sentar juntos com nossas bíblias e alcançar a reconciliação racial? Ou existem outros textos, outras ideias e ideologias que precisam instruir a nossa leitura da palavra para que alcancemos justiça nesse assunto específico? Essa é a pergunta.

Primeiro, deixe-me explicar uma coisa: eu creio na reconciliação racial. Eu preciso crer, pois creio na bíblia. Talvez ajude a entender se você souber que vivo com minha família na Zâmbia por 3 anos e meio. Nesse período, na maior parte do tempo, estivemos em igrejas onde as pessoas se pareciam conosco. Somos estrangeiros, mas há mais de 20 anos minha família faz parte de igrejas onde a maioria das pessoas se parecem conosco. No início dos anos 90 eu fui convidado para pregar em diferentes eventos. Reconciliação racial estava na agenda de todos. Aquele foi um movimento gigantesco. Ali estava eu, convertido desde 1987, membro de uma fraternidade negra, casado com uma formanda na Universidade de História Negra e fui o fundador da Comunhão Bíblica dos Estudantes Negros na Universidade Batista de Houston. Eu pregava e era membro de uma igreja predominantemente negra. Essa era a minha realidade. Toda aquela discussão sobre reconciliação racial me colocou em uma encruzilhada, porque eu escutava e conhecia irmãos brancos que estavam dedicados na questão de reconciliação racial e se perguntavam como alcançá-la, como não manter a igreja com a aparência que tinha, como fazer com que a igreja, sendo predominantemente branca, em uma vizinhança que não é predominantemente branca, começasse a refletir a realidade daquela comunidade. Eu era convidado para eventos e me diziam: "venha pregar, queremos alcançar essa comunidade, alcançar diferentes grupos e etnias". Mas, preciso dizer – não é uma acusação a todas as igrejas negras, é minha experiência – olhei na minha comunidade e percebi que eu não estava ouvindo isso no meu lado.

Eu não conhecia pastores negros que passavam noites em claro porque suas igrejas eram negras demais. Eu não via pastorem de joelhos, chorando antes de se levantarem para pregar porque a maioria dos rostos para os quais pregaria se pareciam com o dele. Mas era isso que eu encontrava nos pastores brancos. Não digo que não existia, mas eu simplesmente não via.

No meio dos anos 90 tomei a decisão de que eu e minha família não continuaríamos a fazer parte de igrejas onde todos se pareciam conosco. Se eu considerava a reconciliação racial algo sério, isso era necessário. Assumi uma posição em uma igreja predominantemente branca e foi muito difícil. Chegamos a enfrentar racismo, mas era muito raro. Boa parte era insensibilidade e ignorância. Mas foi uma escolha nossa. Foi difícil também para nossos filhos, pois eram muito pequenos e não entendiam o que estava acontecendo. Elas eram as únicas crianças negras na igreja. Mas crendo naquilo que eu cria, quais seriam as opções?

Por outro lado, em mais de uma ocasião, pessoas na minha cara disseram que eu tinha me vendido. Eu tinha decidido praticar o que pregavam, decidi tomar uma atitude em outro nível, assumindo um compromisso pessoal, com a minha vida e a da minha família e eu havia me vendido? Então o que estávamos todos tentando fazer durante tanto tempo?

Eu fui acusado de roubar aquele que era o melhor e mais justo da igreja negra. Por um lado, agradeço o elogio, mas o que faço com tudo isso? Uma parte de mim dizia: "que forma terrível de pensar a respeito da igreja." É o mesmo que pensar: "se você é negro, então pertence a esse grupo e seus dons, talentos e habilidades pertencem a esse grupo e é um assalto usar tudo isso em outro grupo."

Na minha formatura do seminário lembro-me de ser abordado por um negro, estudante de PhD, com um questionário. Ele estava fazendo um estudo para a sua tese e queria que eu preenchesse aquele questionário porque de acordo com uma pesquisa, menos de 15% de todos os pastores neste país têm educação seminarista. Aquele projeto estava tentando descobrir coisas como: "o que te ajudou a seguir tal caminho? O que te ajudou a manter tal direção." Você entende como isso tudo é confuso? Conversar sobre esses assuntos com minha família, constantemente passando por essa luta. O que seria isso? Seria tokenismo, ou é algo verdadeiro? Independente do que seja, é esse o nosso compromisso? Ou não? Se eu tenho um problema com a forma como as pessoas me entendem ou não, será que eu posso atribuir a culpa às pessoas por não me entenderem e ao mesmo tempo não me deixar à disposição para que tenham relacionamento comigo para que aprendam a me compreender?

"Como vocês, brancos, ousam não ter relacionamento com negros e ainda por cima não nos entendem?" Entenderam o dilema? É uma espada de dois gumes porque, ironicamente, agora essa parte da minha história é frequentemente potencializada contra mim em toda essa discussão. "Você não tem voz nessa discussão, porque você abandonou seu povo." Pense um pouco sobre isso. Quero responder com uma questão mais persistente: "Por que alguém faria isso? Você suportaria isso, sendo tão difícil?"

A resposta é Efésios 2. Quero agora percorrer Efésios 2 e ver a verdade da palavra suficiente de Deus sobre a unidade e reconciliação, que existe. Não precisamos alcançar a reconciliação racial, pois ela existe. Já foi alcançada, é uma realidade na qual precisamos caminhar. Não é algo que devemos realizar, já foi realizada.

No verso 11 lemos: "Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que na carne se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo." – Essa é uma má notícia!

Há um paralelo aqui com a primeira parte do capítulo. Na primeira parte também começamos com más notícias: "mortos em ofensas e pecados". Mas depois encontramos o verso que se inicia com "mas Deus". Aqui na segunda parte temos más notícias e encontramos o verso que se inicia com "mas agora". Mas antes de chegarmos lá, vamos ver essas más notícias. Porque a fim de entender a magnitude da reconciliação, temos que entender a magnitude da divisão. Veja a questão da divisão novamente: éreis gentios na carne, e chamados incircuncisão pelos que se chamam circuncisão. Quero que você entenda que a divisão que Deus supera aqui é mais significante do que qualquer coisa que enfrentamos. Por quê? Porque raça é arbitrária. Classificações raciais não são classificações verdadeiras. Só existe uma raça. Praticamente não existem diferenças genéticas entre nós. Por falar em genética, se não fossemos da mesma raça, não conseguiríamos reproduzir entre nós. Originalmente, nós temos os mesmos pais. Temos múltiplas etnias, mas apenas uma raça. As chamadas distinções raciais entre nós são diferenças arbitrárias baseadas em determinadas características que temos, mas não são baseadas em diferenças reais.

Em algumas situações nós vemos isso. Quando os Hutus e Tutsis passaram pelo genocídio em Ruanda as pessoas olhavam e diziam: "não entendo, para mim, essas pessoas parecem as mesmas." A diferença genética entre os Hutus e os Tutsis é tão pequena. E a diferença genética entre brancos e negros é basicamente tão pequena quanto.

Mas a diferença entre judeus e gentios havia sido estabelecida pelo próprio Deus e não era arbitrária, era verdadeira. Se Deus pode reconciliar aqueles que possuem reais diferenças, ordenadas pelo próprio Deus, com certeza Ele pode reconciliar pessoas que possuem diferenças arbitrárias e artificiais.

Verso 12: "Naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo."

A questão não é apenas que os gentios eram estrangeiros em relação a outro grupo étnico ou que os gentios estavam separados da "hegemonia cultural". A questão não é apenas a existência de sistemas que os oprimiam; não era apenas a privação deles de acesso às riquezas. Mas a questão é: vocês estavam alienados de Deus e de Cristo. Isso sim é real e muito significativo. E não é querendo fazer pouco-caso da experiência de alguém em relação a alienação ou separação, mas nada se compara a isso: "não tendo esperança, e sem Deus no mundo." O que se compara a isso? Precisar sentar no fundo do ônibus? Linchamento? Não ter esperança e sem Deus no mundo é pior que escravidão. Escravidão é péssima, mas isso tem mais significado.

Agora podemos ver o verso 13: "Mas agora". Quando a notícia é tão ruim quanto foi, o que quer que venha depois é melhor. "Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, pelo sangue de Cristo chegastes perto." Tenha certeza disso.

A linguagem é claramente relacionada ao templo. Lembremos do Santos dos Santos e do sumo sacerdote que uma vez por ano entrava nele. Depois, tínhamos o santo lugar, depois havia o átrio exterior e apenas os sacerdotes executavam suas tarefas e havia a corte dos judeus onde o povo tinha que se apresentar, e depois as mulheres e descendo, e descendo, e descendo na hierarquia, tinham os gentios prosélitos que podiam se achegar, mas apenas até certo ponto.

Mas agora, pelo sangue de Cristo, você que estava lá longe, bem atrás, chegou perto. Você foi reconciliado. E como foi reconciliado? Lendo livros de sociologia? Por se sentir mal o suficiente pelo que seus ancestrais fizeram com os ancestrais de outras pessoas? Por ter suas reivindicações respondidas? Não! Foi O SANGUE DE CRISTO! Cristo morreu para nos reconciliar a Ele mesmo e entre nós. Foi o sangue de Cristo. Não ouse você adicionar qualquer outra coisa a isso! O sangue de Cristo é suficiente para nos reconciliar e é a única coisa que pode nos reconciliar. E é por isso que buscar reconciliação através de outros meios é inútil, jamais pode ser alcançado. Não apenas isso, mas buscar reconciliação por outros meios é blasfêmia, porque aí teremos "o sangue de Cristo e…"

Verso 14: "Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades."

Veja aqui a palavra "paz". Cristo é a nossa paz. Cristo não apenas realizou a paz e nos dá paz, Ele é a nossa paz. Aliás, essa paz que Cristo traz não é aquela paz onde dois lados decidem baixar suas armas e não brigarem mais. Isso já seria maravilhoso e é muito bom ter esse tipo de paz.

Na semana passada estávamos em Nova Orleans e levamos nossas crianças ao Museu da Segunda Guerra Mundial. É um museu incrível. Eles reconstituíram o começo da guerra e como o nazismo se desenvolveu e Pearl Harbor e a construção da máquina de guerra americana; depois você vê um caminho que mostra Tóquio e outro que mostra Berlin e caminhando para o fim do museu você vê a vitória conquistada, os acordos de paz assinados. A isso nós dizemos aleluia, glórias ao Senhor porque as armas foram baixadas e acordos de paz foram assinados. Mas essa não é a reconciliação que Cristo traz.

"Ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derrubando a parede de separação que estava no meio, na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades." Não apenas abaixamos nossas armas e deixamos de lutar um contra o outro, mas nos tornamos um com o outro. Ele tornou dois em um só e é essa a reconciliação que temos, a que faz dois se tornarem um. É a reconciliação que nos faz irmãos e irmãs em Cristo. Essa reconciliação é tão verdadeira que se você pertence a Cristo – não importa por quanto tempo você seja cristão – se você entender essa realidade, existem pessoas no reino de Deus que estão muito mais perto de você do que seus parentes de sangue. O sangue pode ser mais denso que a água, mas não é mais forte que a cruz.

Essa é uma realidade maravilhosa. Você pode ir para qualquer lugar neste mundo e ao encontrar uma igreja, você nem precisa entender a língua, mas na adoração a Deus e na presença dos santos, você estará em casa, com seus irmãos e irmãs. Você não precisa ler textos de sociologia para alcançar isso.

É importante que conheçamos uns aos outros? Claro que é. Eu já mencionei que Huston é a cidade com a maior variedade étnica dos Estados Unidos. Mas na nossa igreja em Houston, nos últimos 6 meses antes de nos mudarmos para a Zâmbia, tivemos um crescimento muito grande. Nesse crescimento, Deus enviou pessoas de 11 nações diferentes. Tudo em um período de 6 meses. Não é que os ancestrais deles eram de 11 nações diferentes. Eram pessoas nascidas em 11 nações diferentes. Rússia, França, Alemanha, China, Índia, Argentina, Nigéria, etc. Às vezes apareciam obstáculos e tínhamos que superar. Mas quer saber? A bíblia é suficiente. Eu não precisei buscar um livro de sociologia sobre cada uma daquelas nações e etnias a fim de ter um relacionamento fraternal ou um relacionamento e dedicação pastoral para com aquelas pessoas. Foi a unidade já alcançada pelo sangue de Cristo e a graça de Deus, com a presença e poder do Seu Espírito Santo que nos juntou em fé, nos provendo o que necessitávamos para conhecermos e apreciarmos uns aos outros.

Existiam formas que poderiam ter nos ajudado a aumentar o nosso conhecimento e unidade e eram boas formas. Era muito bom ir na casa da família russa, provar um banquete russo e aprender sobre a Rússia. Foi muito bom e benéfico, mas não era necessário. O sangue de Cristo é o elemento necessário. O resto é cobertura.

Há outro problema que gostaria de comentar. Uma das dificuldades que temos quando praticamos apologética é dizemos: "essa pessoa é muçulmana, ou budista, então preciso ler e estudar essa religião para depois me aproximar dela e conseguir conversar, porque só agora eu a entendo." Na verdade não é assim, porque ela é uma pessoa, não é uma coletânea de fatos, não é um estereótipo. Não venha me dizer que você leu livros sobre as experiências negras e agora você me entende. Eu sou único e cada um é único, não somos todos iguais.

Não podemos perder de vista o verso 17: "E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto." Normalmente pensamos nesta linha: "bem, existem os judeus, um povo privilegiado, que possuem as alianças e promessas junto com toda uma longa história; agora Cristo precisa vir, juntar os gentios e avançar rapidamente com eles até chegar no ponto onde os judeus estão." E essa foi a controvérsia dos judaizantes. Eles pensavam: "nós possuímos tudo isso, agora vocês precisam nos alcançar, chegar onde estamos a fim de se achegarem a Deus; vocês precisam se tornar judeus antes de se tornarem cristãos." Leia novamente o verso 17: "E, vindo, ele evangelizou a paz, a vós que estáveis longe, e aos que estavam perto." Os gentios precisavam da cruz e do sangue de Cristo a fim de serem reconciliados com Deus. Os judeus também!

É interessante ver que muitas vezes em missões encontramos aqueles oprimidos, pobres e humilhados. Nosso sentimento é que se você realmente ama a Deus e obedece às escrituras, você irá até eles, irá buscá-los nos bairros mais pobres, realizar um ministério ali e estabelecer igrejas. Deixe-me perguntar uma coisa: você realmente acredita que os ricos, sendo ricos, automaticamente conhecem Deus e não precisam de igrejas entre eles? Você realmente acredita que precisamos sair e procurar as famílias pobres, com dificuldades e miséria, cheias de obstáculos, mas não precisamos bater à porta da família rica, porque obviamente elas não precisam do nosso cuidado pastoral? Elas precisam de Cristo. Elas precisam do evangelho. Todas as pessoas precisam do evangelho.

Verso 18: "Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito." Estávamos separados de Cristo, mas agora, através do Espírito, temos acesso ao Pai. Você enxerga a trindade aqui? Até o versículo 12, nosso problema era a separação de Cristo. No verso 18, foi através Dele que nós dois – judeus e gentios – tivemos acesso ao Pai, pelo Espírito. No verso 12, estávamos separados. No verso 18, temos acesso.

Verso 19: "Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros". No verso 12, estávamos separados da comunidade de Israel. No verso 19, não somos mais estrangeiros, mas "concidadãos dos santos, e da família de Deus." O que nós temos hoje é melhor do que aquilo que não tínhamos antes. Isso porque poderíamos fazer parte da comunidade de Israel, termos as alianças e promessas, mas estarmos sob a condenação delas. Mas agora temos acesso ao Pai, pelo espírito. Não somos mais estrangeiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus. Ele não apenas veio na sua casa quebrada e arrumou; Ele te deu uma nova casa. Preste atenção que o texto começa expondo o que os gentios não tinham e conclui expondo aquilo que agora os judeus e os gentios têm, por causa da cruz. Isso é suficiente.

No verso 20 vemos a conclusão: "Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito."

Essa é a reconciliação racial. Não é algo que você e eu precisamos alcançar, mas é algo que você e eu precisamos crer, pois Cristo já realizou. Está feito, é real: somos um em Cristo.

Quando um casal passa por dificuldades no casamento, se tornando estranhos e forasteiros um para com o outro, eles não precisam se casar, pois já são casados. Eles não deixaram de estar casados, não deixaram de ser a união em uma só carne apenas porque a situação ficou difícil. O que precisam é ser lembrados da união, fortalecidos nela. Não precisam de outra união, pois já possuem. É o mesmo com a reconciliação racial. Nós estamos reconciliados em Cristo. Não precisamos alcançar a reconciliação racial. Precisamos apenas andar na reconciliação racial que Cristo realizou na cruz. Isso já é nosso, é verdadeiro. Não preciso de livros de sociologia para andar nessa reconciliação. Eu preciso do livro de Deus a fim de andar nessa reconciliação. Repito, não estou dizendo que não seja informativo conhecer. Assim como eu com minha esposa, se estamos com problemas, pode ajudar saber, ter a informação da parte dela qual é a queixa, o que está em seu coração. Esse é o contexto de um relacionamento. Mas algo que eu não faço é, ao ver o desentendimento com minha esposa, ler livros sobre ela.

No debate que temos atualmente, ninguém vai dizer que é ruim aprendermos um sobre o outro, ou sobre a nossa história. O problema surge quando dizemos: "se você se baseia apenas nas escrituras e não é informado por determinadas fontes ou perspectivas específicas, não conseguirá alcançar reconciliação nessa área, pois você não fez a sua lição de casa."

A bíblia é suficiente e a usamos para criticar os outros livros. Nós não usamos os outros livros para criticar a bíblia. Fico profundamente preocupado quando no meio desse chamado "movimento", ouço da liderança um novo cânon, uma lista muito específica de livros – que aumenta constantemente – que precisamos ler para entender de forma adequada e executar a reconciliação racial. A implicação disso é que a bíblia não é suficiente.

É interessante que isso não esteja ocorrendo apenas nessa questão. Agora estamos começando a ouvir a mesma coisa na questão dos gays: "aqui está uma lista de livros que você precisa ler para entender a orientação sexual." Assim ocorre com o livro de Matthew Vine, "Deus e o cristão gay". Ali estão umas 6 passagens bíblicas que foram mal interpretadas porque não foram lidas sob a luz de outras realidades que não devem ser ignoradas.

É uma nova hermenêutica e um novo cânon, para que você possa ler e então entender e aplicar a bíblia. E eu digo que a bíblia é suficiente.

Vamos orar.

Deus, te agradecemos pela Sua bondade e misericórdia para conosco em Cristo. Nos regozijamos em Sua obra concluída. Nos regozijamos pela obra que Ele alcançou através da cruz. Que possamos sempre adotá-la e que cresçamos nela e nos regozijemos. Em nome de Cristo, amém.